Blookg

Parte I 0.2.1

OK melhorei o k esrevi…kando tiver…ainda nao e o trabalho final…I – O fim
A conversa já ia longa, longa até demais, e ele já começara a ficar saturado – afinal de contas, nunca tivera muito jeito nem gosto para este tipo de conversas -, provavelmente as coisas entre eles iam acabar, ambos sentiam que já não tinham mais nada para dar um ao outro, as conversas deram lugar a discussões, os passeios deram lugar a desentendimentos, enfim, tudo servia para as atear, já nem o sexo os saciava, pelo menos um com o outro.

Ele inconscientemente puxou de mais um cigarro, um vício já antigo, algo que a irritava profundamente e, em menos de um fósforo, o pequeno quarto ficou enevoado, talvez fosse esta a única tradição que ainda respeitavam, desde sempre que as discussões tinham lugar neste quarto, grande o suficiente para apenas duas cadeiras e um cinzeiro. Já partilhavam a mesma casa há largos anos, desde o segundo ano de universidade. Nele estudaram, acabaram o curso, acabaram o mestrado e até encontraram trabalho, e, no caso dele, uma promoção extraordinária, no caso dela, duas muito boas. Mas ao que parece, tal como os estudos, também o amor que sentiam um pelo outro tinha acabado.

II-Inicio do meio

Tinham-se visto pela primeira vez sobre o sol quente de Setembro no primeiro dia de praxes, embora só tenham falado no segundo dia. Ele alfacinha de gema, ela tripeira ferrenha. Ele achava-se punk, com madeixas vermelhas no cabelo castanho, bandana, corrente e phones sempre com músicas aceleradas, ela achava-se hippie, decorava o cabelo com flores e vestia-se como se nos anos 70 se estivesse.

Porém, por mais diferente que fossem os seus estilos, as suas visões sobre o mundo ou mesmos os seus gostos musicais, ambos procuravam amor embora não o admitissem, ele achava-se demasiado “rebelde” para amar, ela considerava o amor uma prisão – nada mais do que máscaras para evitar sentir dor.

Porém, nenhum estilo urbano ou pseudo-ideologia o impediu de a desejar, sonhar com ela, querer beijar aqueles lábios carnudos, nem de o deixar perder naqueles olhos cinza, porém foi a irreverência que ele ostentava (e os seus misteriosos olhos verdes) que a fizeram desejá-lo.

Embora se movessem no mesmo círculo de amigos dentro da universidade, todas as tentativas de conversas a sós fracassavam, ou ela inventada desculpas e coisas para fazer naquele momento, ou ele tentava discutir apenas os estudos, enfim tudo apontava que nunca iriam ser um só.

Mas antes que dessem por isso, num chuvoso e frio dia de Novembro, estavam encharcados à porta do metro, sobre o cinzento e tenebroso luar das tardes de Inverno, quando um olhar, aquele olhar, despoletou tudo. Sendo ela a tomar a iniciativa pondo as mãos em ambos os lados da cara, e rapidamente trocaram um rápido e primeiro beijo. E antes que conseguissem sequer pensar nisso estavam abraçados, agarrados, encharcados a tremer de frio, mas a trocar violentos e apaixonados beijos, finalmente cumprindo um desejo de longos meses. Procuravam conhecer cada milímetro dos lábios de quem desejavam, a boca e a língua. Sentiam que mais nada existia, estavam quase como presos no tempo e espaço, pois nada mais importava. Somente quando se se separaram se aperceberam o que lhes aconteceu, ficando a olhar para o vazio, durante uma fracção de segundo que lhes pareceu uma eternidade.

Mas depois cada um seguido caminho, ainda meio em êxtase, ainda sem conseguirem decifrar o que tinha acontecido, ou melhor, como tinha acontecido.

Ele apanhou o metro, e após mudar de linha e percorrer uma mão cheia de paragens chegou ao seu apartamento. Vivia em Odivelas, num quarto andar de um prédio em más condições. Ao sair do elevador, consegue ouvir uma música bastante familiar, marcada por uma voz meio rouca, uma letra recheada de sofrimento, e uma vertente instrumental que dava enfâse a tudo o resto, Sleep, My chemical Romance. Olhando para o relógio percebe que a irmã já estaria em casa.
Viviam juntos desde do seu 11º Ano, aquando da morte dos seus pais – acidente de viação -, exactamente dois meses depois de ele completar 18 anos, o tribunal considerando-o um adulto, concedeu-lhe a custódia da irmã – que na altura tinha 13 anos.

Ao rodar a chave no canhão ouve uma série de passos rápidos, a melhor parte do dia, e mal abre a porta é recebido por um abraço tão forte e tão apertado que perde um ou dois segundos de respiração. Era ela a sua princesita, a sua irmã, Patrícia. Raramente eram vistos como irmãos, fisicamente as parecenças eram escassas, porém em termos de mentalidades eram bastante semelhantes.

Ela tinha o cabelo escuro – porém com estes dois a cor de cabelo era algo relativo, tinham-no pintado tantas vezes que as cores originais eram senão sombras de um passado distante – e os olhos castanhos, e, ao contrário do seu irmão, tinha uma expressão bem mais inocente e pura.

Mas, tal como o seu irmão, era uma grande fã de músicas mais “aceleradas”, pesadas e poéticas, tal como tudo que dissesse respeito à longínqua cultura nipónica e demonstrava, não só um grande nível de inteligência, como um bom sentido de humor.

Mal largou o pescoço do seu irmão pôs-se a olhar fixamente nos seus olhos, qual cão de caça, detectando algo de diferente, talvez um esgar de felicidade, talvez uma corzinha especial no olhar, ou talvez tudo isto.

-Gerard! – Toda a sua expressão mudou, agora tinha uma expressão inquisitória, esticando o indicador na direcção do seu irmão- O que e que me estás a esconder? – Porém, antes que este pudesse sequer reagir, ela mudando outra vez de expressão continuou – TENS UMA NAMORADA!!!! QUEM É ELA?! ONDE É QUE A CONHECESTE? – Desta vez tinha os olhos bem abertos, e um ar tão surpreso como entusiasmado.

-YO! Zen…acalma-te rapariga, antes de mais Oi!- Ripostou finalmente antes que a irmã o interrompesse mais uma vez- Em relação à namorada, não sei – Parando apenas por uns segundos – Ainda.

Sem outra hipótese, Sérgio, mais conhecido como Gerard, explicou tudo à sua irmã. Como se conheceram, como ela era, que aulas partilhavam, de onde ela vinha, enfim, tudo que a irmã perguntasse ele tinha resposta.

Ele sentado no único cadeirão da sala, aproveitou para acender mais um cigarro.

A sala era quase espartana, paredes pintadas de um branco sujo, decoradas com alguns posters tortos e envelhecidos, uma pequena televisão – que raramente estava ligada- uma tosca mesa de madeira, com uma parafernália de discos livros e bonecos em cima, já para não falar de um cinzeiro sobrelotado e finalmente dois puffs e um cadeirão, todos em preto

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